Tecnologia x crianças

 

11/10/2018

Há tempos desejo abordar esse tema sobre o ponto de vista materno. Sou mãe de dois, passei por essa transição do offline para o online com os meus filhos. Foi um despertar para a realidade virtual que precisou ser desbravada e ter seus limites e regras estabelecidos sem tempo para grandes reflexões, afinal de contas, toda a transformação social que a tecnologia nos impôs foi em real time.

Foi intenso e desafiador. A minha geração não tinha a menor ideia do que estava acontecendo, do que realmente significava a revolução digital que estávamos vivendo. Nós aprendemos juntos com as crianças. De 1998, quando tudo começou (pelo menos para mim), até aqui, muita coisa mudou. O uso da tecnologia se intensificou ao longo dos anos. Hoje, já não conseguimos imaginar o dia a dia sem celular. Não conseguimos ficar longos períodos de tempo sem acesso a internet. Dependemos dela. Hoje muitos negócios são fechados por whatsApp, video conferências. Muito conteúdo é transmitido com o uso da tecnologia. Vidas são salvas porque a tecnologia se desenvolveu.

Menos de uma década me tornei avó. Diferente de quando meus filhos comecaram a usar a tecnologia, meus netos nasceram com a tecnologia super presente. Pais e avós conectados aos smartphones, conteúdos infantis consumidos de plataformas digitais, TVs com conteúdo multimídia. Muito antes de saberem ler ou escrever, os pequenos já utilizam as telas touch para acessarem o conteúdo que desejam. Ouvem músicas em inglês, ligam para os avós por whatsApp (que delícia!), acessam desenhos e filmes.

Mas como isso pode funcionar de forma positiva sem o ônus que a tecnologia pode trazer? Para nós, como família, foi o diálogo que sempre conduziu os limites do que consideramos saudável e apropriado para cada faixa etária. O meu neto mais velho de oito anos não acessa os mesmos conteúdos que a neta do meio que tem cinco e, da mesma maneira, a caçula de 3, tem acesso apenas ao conteúdo adequado para a sua idade.

A minha família acredita que a tecnologia é um importante aliado na potencialização da aprendizagem e do desenvolvimento cognitivo. Acreditamos que a interação saudável permite que a criança deixe de ser apenas espectadora da sua aprendizagem. Por meio da tecnologia, ela não se limita a ver e pode interagir e compreender os efeitos da sua interação e receber uma estimulação multifacetada.

Mas acreditamos que o equilíbrio e os benefícios só vem a partir de um uso responsável e isso é claro, começa com os adultos mediando e monitorando de perto, professores e educadores incentivando e direcionando os interesses. Utilizada de forma correta, a tecnologia pode estimular a leitura, aumentar o vocabulário, despertar a curiosidade sobre o mundo, dar sensação de controle, auxiliar no processo de aprendizagem autonomia: a qualquer hora e em qualquer lugar, dentro e fora da escola.

As novas tecnologias são essenciais na sociedade em que vivemos. E isso não quer dizer que os computadores e os smartphones tomam o lugar da interação humana, nem a substituem, mas que o uso dirigido pode contribuir para o desenvolvimento. Como em tudo, o importante é utilizar com moderação e equilíbrio.

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