Chefia da Amazon faz movimentos sigilosos e causa questionamentos

A Amazon trabalha, desde seu início, com uma pequena equipe de executivos seniores para tomar as decisões importantes, disseminar ideias e moldar a cultura da empresa. Em 2019, segundo o jornal The Seattle Times, duas pessoas da equipe saíram e sete entraram para focar na computação em nuvem, na publicidade, na assistência por comando de voz e em moda. Apesar de ser uma expansão significativa, totalizando 22 executivos, a Amazon raramente toca no assunto.

A Amazon não divulga os nomes de seus executivos seniores e nem as metas da empresa. Crédito: Divulgação/ Amazon

De acordo com o jornal, esse time de executivos é secreto. Não é possível encontrar uma lista dos membros da equipe S, como é chamada, no site da empresa. O The Seattle Times chegou a reunir, através de registros públicos, perfis no LinkedIn e outras fontes, uma lista de membros dessa equipe, mas a Amazon não atendeu ao pedido do jornal para conversar sobre o assunto.

Essa equipe S é responsável por toda a Amazon, mas nem todos os membros se reportam a Jeff Bezos, fundador e CEO da empresa. As funções específicas dos novos membros, contudo, dão a dimensão do foco da Amazon, uma empresa de amplitude incomparável em todos os setores, incluindo tecnologia, comércio, transporte e entretenimento.

Brian Olsavsky cuida das finanças, Beth Galetti dos recursos humanos, Jay Carney de assuntos corporativos, Andy Jassy é CEO do serviço de computação em nuvem, Jeff Wilke é CEO do consumidor, Dave Clark é chefe de operações mundiais, Doug Herrington é responsável pela América do Norte, Russ Grandinetti pelo consumidor internacional e Amit Agarwal é gerente nacional da Índia.

Outra integrante da equipe, parte das novas aquisições de dezembro, é Neil Lindsay, vice-presidente mundial do Prime e marketing. O Prime é o programa de entrega e assinatura de mídia da empresa, com mais de 150 milhões de membros pagantes no mundo. Christine Beauchamp lidera a parte focada em moda da empresa e sua ascensão pode significar que seja uma área dentro da Amazon que está ganhando força.

Além de Jassy, Peter DeSantis, Matthew Garman e Charlie Bell estão focados nos negócios de computação em nuvem, muito lucrativos da empresa. Rohit Prasad, Tom Taylor e Dave Limp se concentram na tecnologia e nos dispositivos de computação de voz, como a Alexa. Tom Forte, analista e diretor-gerente da DA Davidson, uma empresa de estratégia financeira, disse ao jornal que incluir outro executivo focado da Alexa mostra a estratégia de longo prazo da Amazon, apesar do setor financeiro ainda subestimar o uso dessa modalidade.

Outro negócio lucrativo e em expansão na Amazon é a publicidade, representada pela adição de Colleen Aubrey na equipe e pelo executivo veterano Paul Kotas. A empresa acumulou quase US$ 4,8 bilhões em vendas de publicidade no quarto trimestre de 2019, um aumento de 41% em relação ao ano anterior. Com a venda de anúncios digitais, a empresa ganhou participação de mercado e divide espaço com grande nomes como Google e Facebook.

Apesar de não ter um executivo focado no setor de saúde dentro da equipe S, a Amazon já considera esse um mercado importante. Nos últimos dois anos, adquiriram a rede de farmácias PillPack por US$ 753 milhões. Com isso, configurou o sistema da Alexa para lidar com informações de saúde pessoais protegidas, juntou as empresas JPMorgan Chase e a Berkshire Hathaway para cuidar da saúde dos funcionários e iniciou um programa piloto para funcionários de Seattle com atendimento virtual, chamadas domiciliares e entregas de prescrição.

Enquanto isso, Steven Steven Kessel deixou a Amazon no fim de 2019 e Jeff Blackburn está de licença por um ano. Agora, algumas das responsabilidades de negócios e desenvolvimento corporativo de Blackburn parecem ter recaído em Peter Krawiec, vice-presidente de desenvolvimento corporativo mundial.

Kessel, antes de sair, teve como função de aumentar a variedade de serviços e produtos nas lojas físicas da Amazon, que totalizavam 571 até o fim de 2019. As lojas passaram a oferecer entrega de alimentos frescos, Prime, segurança do trabalhador, robótica e sustentabilidade, operações de armazenamento e logística de varejo.

Apesar de tudo, a equipe S é um grupo unido, com vários executivos trabalhando juntos há mais de duas décadas. Uma das duas formas de gerenciamento usadas é através de um processo anual de definição de metas que a empresa realiza a cada outono e termina no início do ano novo. Em uma carta que Bezos escreveu aos acionistas, definiu as metas como “demoradas, espirituosas e detalhistas”. Eram 452 metas importantes o suficiente para serem monitoradas pela equipe de liderança sênior, mas a empresa não divulgou quais são essas metas.

Em 2017, segundo o jornal, a equipe S estabeleceu uma meta de garantir US$ 1 bilhão em incentivos econômicos para projetos de desenvolvimento imobiliário. Outra reunião chamada de “A loja de tudo”, feita na casa de Bezos em 2002, discutiu reorganizar a empresa em equipes pequenas e ágeis, com até 10 pessoas. A “regra das duas pizzas”, que traz a ideia de reuniões que devem acabar após comerem duas pizzas, segue ainda hoje nos quesitos conhecimento e estrutura corporativa da Amazon, mas não universalmente. O jornal The Seattle Times acredita que com o crescimento recente da corporação, é questionável se a equipe S ainda adere a “regra das duas pizzas”. Só se cada um comer apenas uma fatia.

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