Papo de Mercado: como as novas formas de consumo afetam a produção

Debates visam ajudar indústria e varejo a transformarem rapidamente suas operações

Por Kika Martins, do EP Grupo

Uma iniciativa da Driven.CX, em parceria com a agência de conteúdo EP Grupo e a Globo, promoveu uma série de debates entre os dias 28, 29 e 30 de abril, chamada Papo de Mercado, sobre as recentes mudanças ocorridas no mercado por conta da pandemia e, neste contexto, a mais do que necessária digitalização das empresas para sobrevivência.

A fim de ajudar os empresários da indústria e do varejo a transformarem rapidamente suas operações, a equipe EP Grupo preparou um resumo de cada painel. Acompanhe o penúltimo conteúdo, a seguir.

Painel 8: QUAL O PAPEL DA INDÚSTRIA? INVESTINDO NO CLIENTE.

O comportamento de consumo decorrente da pandemia tem efeito muito parecido para todos os players, seja varejo, indústria ou distribuidor. O que muda é o lugar ocupado na cadeia de consumo e a forma como esses novos hábitos chegam até cada um deles.

Apesar do receio geral e das mudanças de prioridades diante da crise, tanto o consumidor como a indústria e o varejo têm sido bastante positivos nesta adaptação, fazendo valer boas oportunidades.

Para entender o impacto, é válido segmentar de acordo com o nível de digitalização da empresa. Negócios ligados à experiência, por exemplo, naturalmente sofrerão mais com a quarentena (eventos, entretenimento) e precisam de um trabalho extra para sobrevivência.

Empresas que estavam adiando a digitalização, agora estão correndo atrás do tempo perdido. Por outro lado, parte dos empresários que já vinham se preparando para a transição digital estão conseguindo crescer via e-commerce – algumas empresas registraram de 100 a 400% de incremento nas vendas neste período de isolamento.

Investir em tecnologias para evitar o contato físico nas lojas, por exemplo, é apenas uma das possibilidades diante dos administradores.

O Brasil tem uma pirâmide social mais humilde no que se refere ao poder de compra. Além disso, o País enfrentará uma fase de desemprego e insegurança pós-Covid que modificará as linhas de produção de diversos segmentos, à medida que haverá uma migração para produtos mais baratos.

Conforme análise de especialistas, o mercado de brinquedos e artigos infantojuvenis deve passar por um processo de simplificação de mecanismos, com propostas menos tecnológicas e mais experiências – visando a integração familiar -, barateando essas mercadorias.

Haverá, portanto, uma oportunidade de crescimento para a categoria, a partir de preços mais acessíveis e dentro das atividades que têm sido apreciadas em casa, tais como cozinhar. Tendência que, aparentemente, deve permanecer após o isolamento.

As ondas de comportamento vislumbradas por especialistas para o período pós-pandemia não podem ser garantidas, já que até lá o consumidor pode mudar novamente.

No entanto, eles arriscam alguns palpites como um incremento nas vendas de Dia das Crianças em uma espécie de compensação, uma vez que muitas festas de aniversário infantis foram adiadas – e até pelo tempo que os pequenos foram obrigados a ficar dentro de casa.

Ninguém sabe ao certo como será o varejo e o convívio pós-Covid, mas provavelmente o consumidor terá receio de frequentar lojas, shoppings, e o fluxo será afetado por um tempo maior do que a quarentena instituída pelo governo. Lugares cheios serão evitados, naturalmente.

Talvez não sejam mais necessárias unidades tão grandes e o varejo on-line ganhará outra dimensão no que se refere à Realidade Aumentada (RA), entre outros recursos, intensificando ainda mais a importância do e-commerce. Sem contar com a possibilidade de ter colaboradores em home office. Portanto, surgirão novos formatos de lojas.

De acordo com um indicador de consumo da NPD Group, empresa de pesquisa, comparativo realizado em 14 países, o Brasil tem um índice baixo de brinquedos vendidos por criança, em média 2,4 brinquedos por ano.

A produção local impacta a dinâmica dos mercados, sendo um fator determinante para o preço, principalmente pela questão tributária, e isso vale para todas as indústrias – não somente a infantil.

Em situações restritivas, geralmente há uma troca no consumo do produto A pelo B. É possível que isso volte a acontecer, mas vale lembrar que há uns 4 anos (2016) o varejo brasileiro passou por uma valeta de consumo, com dificuldades econômicas e, por insegurança, muitas pessoas optaram por marcas mais baratas.

Porém, conforme houve uma leve recuperação, o atacarejo cresceu e vivemos um boom de produtos e serviços diferenciados como os artigos gourmetizados.

Neste momento, a indústria como um todo deve apostar na experiência indoor. Para isso, é preciso pensar nas categorias e no papel do produto (indoor e outdoor), oferecendo uma conveniência, de acordo com a situação que estamos vivendo – para que faça sentido para o consumidor hoje.

É hora de parar para ouvir o cliente e fazer uma autoavaliação. Quais as reais habilidades do produto e qual o diferencial? Detectar o ponto forte da empresa é fundamental. Outro ponto são as parcerias, seguindo a tendência da economia criativa, reinventando a distribuição da indústria com modelos inovadores.

Muitas marcas estão se calando neste momento, enquanto outras aproveitam para gerar uma memória afetiva (lealdade) e construir relacionamento com o consumidor, de maneira empática e, até mesmo, com a ajuda dos colaboradores – grandes embaixadores da marca.

Diante do novo consumidor – pessoa física – as empresas devem repensar o modelo interno e o que é mais adequado. Um novo formato de loja e diferentes maneiras de atender se fazem necessárias.

Alguns varejistas já conseguiram se reinventar. Inclusive, colaboradores tornaram-se vendedores de grandes redes via app, tendo as lojas como pequenos centros de distribuição. Sem contar com as parcerias, este tipo de iniciativa atenua a crise.

Sair da zona de conforto implica em inovar, tomar decisões e assumir riscos que agreguem valor. Neste sentido, o mercado brasileiro tem impressionado positivamente.

Experiências devem promover a junção de marcas de diferentes segmentos, parcerias que entreguem conteúdo (histórias) e, assim como tem acontecido em outros países, a tendência é que essas campanhas também apareçam no Brasil. Afinal, o consumidor olhará de outra forma para os bens de consumo.

Uma vez modificados os produtos, o futuro dos consumidores nunca mais será o mesmo. A partir de novos conceitos e valores, inevitavelmente haverá uma influência cultural para mudança de comportamento daqui a 15 ou 20 anos.

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